| por Paulo Sergio Bretones | ||||||
O ano dura aproximadamente 365,25 dias, ou seja, cerca de 365 dias e 6 horas, e assim normalmente os anos têm 365 dias e a cada 4 anos soma-se um dia para acertar esta diferença. E por que se escolheu o mês de fevereiro para esse acerto? O calendário que utilizamos vem dos romanos, que inicialmente adotavam um ano de 304 dias e 10 meses: martius, aprilis, maius, junius, quintilis, sextilis, september, october,november e december. Com o tempo, a contagem dos dias doano foi ficando defasada e na época do imperador Numa Pompílio, no século 7 a.C., estava atrasada em 51 dias em relação ao início das estações. Pompílio então criou mais 2 meses: janeiro e fevereiro, e o ano passou a ter 354 dias. Além disso, criou um 13o mês, intercalado para adequar o calendário às estações do ano. Esse mês, chamado de mercedonius, era intercalado entre 23 e 24 de fevereiro, no fim do ano na época, que se iniciava em março. Ocorre que esse mês apenas existia quando fosse do interesse do governante de cada cidade. Ainda assim, sob o reinado de Caio Júlio César (100-44 a.C.), as intercalações do 13º mês eram feitas de maneira tão desorganizada que em 46 a.C. o calendário solar tinha uma defasagem de 80 dias em relação ao início das estações. Então Júlio César chamou o astrônomo e filósofo egípcio Sosígenes, da Escola de Alexandria, para uma reforma no calendário. Dessa forma, o ano de 46 a.C. passaria a ter 80 dias a mais, ou seja, 445 dias; e por isto foi o chamado “Ano da Confusão”. Assim, no chamado “calendário juliano”, o ano passou a ter início no dia 1º de janeiro, tendo 365 dias e 1/4, divididos em 12 meses de 30 e 31 dias, com exceção de fevereiro, que tinha 28 dias, passando a 29 nos chamados anos bissextos aos quais a cada 4 anos seria somado 1/4 de dia, perfazendo um dia a mais, ou seja, um ano com 366 dias. Mas o curioso é que este nome não vem do fato de que seus 366 dias terminam em dois 6. O dia do início de cada mês no calendário romano era chamado “calendas” e o dia mais importante era 23 de fevereiro, isto é, o sexto dia antes das calendas porque o último mês do ano era fevereiro. Então, nesse dia sagrado e em homenagem ao deus Termo, ou Terminus, celebravam- se em Roma festas de grande animação popular. Trocavam- se presentes, libertavam-se escravos, promoviam-se espetáculos de gladiadores no circo, as famosas termálidas (algo parecido com o que chamamos de carnaval). César queria introduzir um dia a mais que levaria o nome de mercedônio em fevereiro em homenagem a Fébrua, a deusa da purificação (daí o nome fevereiro). Mas como explicar ao povo que o sexto, o dia mais sagrado para eles, deixaria de ser sexto, porque a cada quatro anos haveria um sétimo? A solução não foi difícil: o dia mercedônio que seria inserido foi considerado um “adendo” e chamado de “bis sexto” – ou seja, mais um sexto. Em outras palavras, o dia intercalado seria o 24 de fevereiro, ou seis dias antes das “calendas” de março. Assim, esse dia era contado duas vezes (bis), sendo chamado de “bissextus ante calendas martii”, que, com o tempo, passou a ser “bissexto”. Dessa forma, fevereiro ficaria com 29 dias. No calendário juliano, o mês quintilis passou a chamar-se julius, em homenagem ao imperador. Posteriormente, o mês sextilis passou a se chamar augustus em homenagem a Augusto, outro imperador romano, que aperfeiçoou o calendário juliano. Mas, dizem, como era muito orgulhoso, não quis que o mês a ele dedicado – augustus, ou agosto – tivesse menos dias que julho, que homenageava Júlio César. Então, “roubou” mais um dia de fevereiro, que ficou com 28 dias, e passou- o para agosto, que ficou com 31 dias. Ocorre que, mesmo sendo mais preciso que os anteriores, o calendário juliano ainda não era exato. Em 1582, já acumulava um atraso de dez dias em relação ao ano solar. Foi então que o papa Gregório 13, seguindo os conselhos de astrônomos, resolveu corrigir de vez a diferença entre o calendário oficial e o solar. Isso ocorreu porque, na verdade, o chamado ano solar tem 365,242199 dias. Se fizermos a decomposição deste número em parcelas teremos: 365,242199 = 365 + 0,25 - 0,01 + 0,0025 - 0,007801, que pode ser escrito em frações: 365,242199 = 365 + 1/4 - 1/100 + 1/400 - 1/3300. Em outras palavras, o ano tem 365 dias, deve-se somar 1 dia a cada 4 anos, diminuir 1 dia a cada 100 anos, somar 1 a cada 400 anos e finalmente eliminar 1 dia a cada 3.300 anos.Assim, naquela época, o papa começou eliminando sumariamente os dez dias de atraso. Depois, estabeleceu que os anos de virada de século (1800, 1900 etc.) que fossem múltiplos de 100 não seriam bissextos, exceto quando fossem também múltiplos de 400. Dessa forma, retirava-se 1 dia a cada 100 anos e adicionava-se 1 a cada 400 anos. Por isso, o ano 2000 foi bissexto por ser múltiplo de 400. Com essa providência, o calendário chamado “Gregoriano” só acumula um dia de erro a cada 3.300 anos solares. | ||||||
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Viajando na História...
Neste Blog você encontra o melhor da ciência humana, que estuda o homem e sua ação no tempo e no espaço
domingo, 3 de junho de 2012
O Segredo dos Anos Bissextos Reforma do calendário, em 1582, introduziu um dia a mais em fevereiro para evitar desencontros entre o ano solar e o calendário oficial
Relógio das Culturas O que é o tempo? A resposta varia, dependendo da sociedade
| por Pelos editores | ||||||
Cientistas sociais registraram grande diferença no ritmo de vida em vários países e em como as sociedades percebem o tempo: se como uma flecha penetrando o futuro ou como uma roda em movimento, onde passado, presente e futuro giram sem parar. Algumas culturas combinam tempo e espaço: o conceito dos aborígenes australianos do “tempo de sonhos” abrange não só o mito da criação, mas também o método de selocalizar no campo. Mas algumas visões de tempo interessantes, como o conceito de ser aceitável uma pessoa poderosa manter alguém de status inferior esperando, parecem desconhecer diferenças culturais. Elas são universais. O estudo de tempo e sociedade pode ser dividido em pragmático e cosmológico. Do ponto de vista prático, nos anos 50, o antropólogo Edward T. Hall escreveu que as regras de tempo social compõem uma “linguagem silenciosa” para determinada cultura. As regras nem sempre são explícitas, analisou ele, mas “subentendidas... Ou são cômodas e familiares, ou erradas e estranhas”. Em 1955, ele descreveu na Scientific American como percepções diferentes de tempo podem levar a mal-entendidos entre pessoas de culturas diversas. “Um embaixador que espera um visitante estrangeiro mais que meia hora deve entender que se este último ‘mal murmura uma desculpa’ isto não é necessariamente um insulto”, exemplifica. “O sistema de tempo no país estrangeiro pode ser composto de unidades básicas diferentes, então o visitante não está tão atrasado quanto parece. Deve-se conhecer o sistema de tempo do país, para saber a partir de que ponto as desculpas são realmente necessárias... Culturas diferentes atribuem valores diversos para as unidades de tempo.” A maioria das culturas do mundo agora usa relógios e calendários, unindo a maior parte do globo no mesmo ritmo geral de tempo. Mas isso não significa que todos acertem o mesmo passo. Algumas pessoas se estressam com o ritmo da vida moderna e o combatem com o movimento “slow food” enquanto em outras sociedades as pessoas sentem pouca pressão no gerenciamento do tempo. “Uma das curiosidades do estudo de tempo está no fato de ele ser uma janela para a cultura”, avalia Robert V. Levine, psicólogo social na California State University em Fresno. “É possível obter respostas sobre valores e crenças culturais: uma boa ideia do que importa para as pessoas.” Levine e seus colegas fizeram estudos do “ritmo de vida” em 31 países. Em A geography of time, publicado pela primeira vez em 1997, Levine descreve a classificação dos países usando três medidas: velocidade para andar nas calçadas urbanas, rapidez de um funcionário do correio em vender um simples selo e a precisão dos relógios públicos. Baseado nessas curiosas variáveis ele concluiu que os cinco países mais rápidos são Suíça, Irlanda, Alemanha, Japão e Itália e os cinco mais lentos, Síria, El Salvador, Brasil, Indonésia e México. Os Estados Unidos ocupam a 16º lugar, próximo ao mediano. FONTE:http://www2.uol.com.br/sciam/ | ||||||
sábado, 21 de janeiro de 2012
O sexo do ponto de vista histórico
Peter Stearns, Ph.D. em História pela Universidade de
Harvard e autor do livro História da sexualidade
Engana-se quem pensa que o Ocidente sempre foi mais avançado
em questões sexuais do que o Oriente. Pelo menos até o século passado, as
sociedades cristãs-ocidentais eram oficialmente mais pudicas em relação ao sexo
do que a maioria das sociedades asiáticas. Ainda há um século e meio, os
códigos morais “vitorianos” na Europa Ocidental e nas Américas tentavam
reprimir a masturbação, a expressão sexual feminina e a relação sexual antes do
casamento muito mais do que sociedades muçulmanas, hindus ou confucionistas. “O
Islã sempre chamou a atenção, por exemplo, para o prazer sexual da mulher no
casamento. A questão é que existem sociedades e indivíduos mulçumanos
diferentes”, explica o historiador Peter Stearns, que teve traduzido para o
português o livro Sexuality in World History (2009) – no Brasil, o lançamento
da obra é recente e recebeu o título História da sexualidade, pela Editora
Contexto.
Se ainda existem regiões mulçumanas que apregoam o
apedrejamento público para mulheres que praticam o adultério, Stearns lembra
que são locais tidos hoje como exceção. Por outro lado, ele diz que há cada vez
mais uma preocupação quanto às influências ocidentais no Oriente, o que talvez
explique o que levou algumas sociedades a adotar uma postura mais rígida.
O livro de Stearns mostra diferentes condutas sexuais no
mundo dentro do contexto histórico. O tema do homossexualismo, por exemplo, é
abordado na obra de maneira cronológica e por regiões. “Nas cavernas o
bissexualismo era comum e aceito socialmente. Os mulçumanos não encaravam
homossexuais como aberrações, como muitos hoje o fazem, e a China também não
condenava, porém mudou de postura com a chegada do comunismo”, diz.
Stearns lembra do posicionamento dos protestantes em relação
às questões sexuais: foram contra o catolicismo e defenderam que a castidade
não havia alçado as pessoas a um nível espiritual mais elevado do que o
indivíduo que era casado. Dentro desse contexto, em 1684, um manual direto e
explícito de nome A obra-prima de Aristóteles chamou a atenção na Inglaterra.
Ele trazia informações sobre como obter o prazer sexual partindo do pressuposto
que o casal deveria buscar esse objetivo. Ainda no livro, o historiador fala
das bases do vitorianismo e os esforços para frear a sexualidade – a atividade
sexual deveria ser limitada ao casamento e os jovens deveriam ser contidos. Não
por menos, o historiador lembra de pinturas que ilustraram, entre os séculos 18
e 19, a desonra que se abatia em uma família por causa de uma filha que
engravidara sem estar casada.
Na Era Vitoriana (meados do século 19), a masturbação foi
tida como algo de extremo risco, pois poderia causar dificuldades mentais,
envelhecimento precoce, esterilidade e até cegueira. Em entrevista, por
e-mail à Gazeta do Povo, Stearns fala mais da repressão sexual no Oriente e
de outros temas abordados no livro.
As leis iranianas são muito rígidas para nós brasileiros. É
uma herança do islamismo?
As leis no Irã e em outras sociedades muçulmanas são muito
rigorosas quanto a alguns aspectos da sexualidade. Isso reflete a lei islâmica
tradicional, que tentava restringir a sexualidade ao âmbito do casamento e
durante muito tempo prescreveu punições potencialmente severas para
comportamentos como o adultério. Mas na maior parte da tradição islâmica, em
situações como o adultério, costumava-se preferir a reconciliação, não a
punição. O novo impulso, em algumas sociedades, na direção de uma maior rigidez
é resultado não só de uma interpretação seletiva da tradição, mas de séria
preocupação com influências estrangeiras e hábitos “modernos” que, para algumas
autoridades, soam como um novo perigo.
Houve interpretações diferentes para outros temas também?
Muitas sociedades muçulmanas agora adotam uma postura mais
dura contra a homossexualidade, algo que não está na tradição islâmica. Na
verdade refletem, inicialmente, um desejo de imitar o Ocidente, lá atrás, no
final do século 19, quando as autoridades ocidentais criticavam o Islã por sua
liberalidade em questões de sexo. Portanto, há um conjunto de fatores em curso
aí.
Quais países do mundo islâmico não são tão rígidos assim?
Há regimes seculares no mundo islâmico (a Síria ou a
Turquia, por exemplo) nos quais as normas mais rígidas do islamismo não são
aplicadas. E há tradições mais antigas, como o das danças sensualmente
expressivas, que persistem em muitas regiões também. E quero insistir, mais uma
vez, que o Islã, tradicionalmente e ainda hoje, incentiva a expressão sexual e
o prazer dentro do casamento.
Como o senhor aborda o tema da prostituição?
A prostituição há muito tempo é comum nas cidades do mundo
islâmico, como tem sido em concentrações urbanas de qualquer sociedade. A
maioria das sociedades não tentou eliminá-la, ainda que, durante o século
passado, tenha havido esforços recorrentes para incentivar maior higiene nessa
prática. Há indícios de prostituição já nas primeiras cidades da Antiguidade,
por isso a noção de que essa é uma das mais antigas profissões do mundo não
chega a ser inverossímil. Vários governos tentaram proibi-la, regulamentá-la –
por exemplo, no final do século 19, tentando limitar a atividade aos distritos
da “luz vermelha” nas Américas, ou, mais recentemente, ao impor inspeções de
higiene –, ou mesmo organizá-la de modo a que rendesse algum dinheiro ao
Estado. Há muitas diferenças de uma sociedade para outra e ao longo do tempo.
Como se dava a intervenção dos governos no controle e nas
recomendações sobre o comportamento sexual?
Há muito tempo e de forma recorrente os governos empreendem
tentativas de regulação sexual. Nem sempre se saíram muito bem. Mas os esforços
para fazer cumprir as leis contra o adultério, a prostituição ou os “desvios”
têm sido constantes desde o Código de Hamurabi. O governo dos Estados Unidos,
não faz muito tempo, atuou no sentido de limitar o acesso dos adolescentes a
alguns meios de controle de natalidade, promovendo campanhas de abstinência
sexual, para ficar num exemplo atual apenas. Obviamente, os defensores de
doutrinas, religiosas ou não, que preconizam determinado comportamento sexual
como adequado procuram, por vezes, a chancela do governo para fazer valer suas ideias.
Tradução: Christian Schwartz
Fonte: Gazeta do Povo
http://historica.me/
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Mas, você vai ser professor?
Por Douglas
Barraqui
“Mas, você vai ser professor?”
é essa a frase de uma comunidade de uma dessas páginas de relacionamentos da
internet. Um estudante que almeja entrar em sala de aula e ser professor nos
dias de hoje tem pela frente um desafio ciclópico. Digo isso por propriedade com
uma boa experiência em sala de aula trabalhando com os pequeninos e curiosos do
fundamental; com os adolescentes, as vezes rebeldes sem causa, do ensino médio;
passando pelos inseguros jovens pré-vestibulandos, até os esforçados dos
preparatórios para concursos. Em fim, tendo eu assistido por esses anos de
labuta o atual quadro da educação brasileira e o que de fato significa estar
dentro de uma sala de aula com vinte a quarenta alunos esperando algo de você,
retruco ao futuro jovem professor: você quer ser professor?
Este não se trata de um
daqueles manifestos de insatisfação com a atual condição da educação brasileira,
tão pouco farei deste um lamento sobre as dificuldades que um professor tem em
sala de aula. Quero apenas ser fidelidigno com a atual realidade conjuntural de
uma sala de aula com base em minha experiência. E mais ainda fazer com que você
perceba que sala de aula, lecionar, lidar com crianças, jovens em formação é
algo que tem que ser feito de forma apaixonada, com amor.
Pareço um tanto subjetivo, mas,
veja o que você, futuro professor, terá pela frente: uma sala de aula.
Analisando a escola como um espaço sócio-cultural podemos lançar nossos olhos
sobre um quadro dinâmico, que se faz presente no cotidiano dos dias letivos,
levado a efeito por homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, negros e
brancos, adultos, adolescentes, jovens, crianças, em fim, alunos e professores,
seres humanos concretos, sujeitos sociais e históricos, atores históricos,
filhos de seu tempo.
A instituição escola nos
aparece como resultado de um confronto de interesses: de um lado, uma
organização oficial do sistema escolar, que define o conjunto de regras e
normas, atribui funções e tarefas definindo as chamadas relações sociais. Do
outro, os sujeitos, alunos, professores, funcionários, que criam uma trama
própria de inter-relações, fazendo da escola um processo permanente de
construção social. O que eu quero dizer é que no âmbito da escola e dentro da
sala de aula interagem diversos processos sociais que vão desde a reprodução das
relações sociais, passando pela criação, transformação e difusão do
conhecimento. Isso é uma escola, dentro dela está a sala de aula e sentados em
suas carteiras estão os alunos.
Portanto a primeira coisa, a
saber, futuro professor, é que a escola é um espaço sócio-cultural, ordenado por
uma dupla dimensão. Nessa perspectiva, a realidade escolar aparece mediada, no
cotidiano dos dias letivos, pela apropriação, elaboração e reelaboração de
conhecimentos. Isso vai incluir ao seu currículo de professor: alianças,
conflitos, imposições de normas e estratégias individuais ou coletivas,
transgressão e acordos entre alunos e professores. E isso não será tarefa fácil.
Mas o que é essa escola? E o
que de fato ocorre dentro de suas salas de aula? Trata-se de uma instituição
que, pelo discurso muito corrente, deveria buscar atender a todos da mesma
forma, com a mesma organização do trabalho escolar, mesma grade curricular. Esse
discurso é palpável até certo ponto, mas acaba homogeneizando os sujeitos em
questão, alunos e professores. Isso leva consequentemente à homogeneização da
instituição escola. Assim, materializado nos programas e livros didáticos, o
conhecimento escolar se torna objeto e, ao mesmo tempo, coisa a ser transmitida.
Supostamente como será de forma homogenia propagada, será igualmente assimilada,
e isso não é verdade.
Dentro de sala, você professor,
terá uma gama de alunos com as mais diversas propensões, capacidades para querer
ou não assimilar o conhecimento: desde o mais hiperativo, ao mais tímido.
É muito corrente um professor
ministrar uma aula com o mesmo conteúdo, mesmos recursos e ritmos para turmas de
quinta série, por exemplo, de uma escola particular do centro, e de uma escola
pública da periferia, negligenciando as condições sócio-econômicas desses
sujeitos alunos. Nesse quadro, a meu ver, ensinar fica resumido a transmitir
conhecimento acumulado, e aprender se torna assimilá-lo. O que é valorizado são
as notas obtidas nas provas que reduz a escola a uma única finalidade na visão
do aluno: passar de ano. A diversidade acaba tristemente reduzida a bom e mau
aluno, esforçada e preguiçosa, obediente e rebelde, disciplinada e
indisciplinada. O que eu quero lhe mostrar é que muitas escolas são assim hoje,
desconsideram a totalidade das diversidades humanas, do sujeito aluno. E não há
um culpado, mas sim vários.
O que você tem que saber de
antemão futuro professor é que você estará instruindo seres humanos. No primeiro
dia de aula, quando você olhar para eles e ver aquele monte de rostinhos
assustados pergunte a si mesmo: quem são esses jovens? De onde vieram? O que
eles vêm buscar na escola? Qual significado tem para eles a escola? Talvez você
não alcance a resposta de todos, mas, terá um panorama geral da diversidade que
é uma sala de aula.
Você tem que saber que essas
crianças que estão sentados diante de você professor, esperarão algo de você,
bem como você esperará delas. Portanto, você jamais deve resumir a escola, e tão
pouco o seu aluno, as quatro paredes, janelas e porta da sala de aula. Essas
crianças chegaram para você marcados pela diversidade, reflexos de
desenvolvimento cognitivo, afetivo e social anteriores, e que são,
evidentemente, desiguais e peculiares em virtude da quantidade e da qualidade de
suas experiências e relações sociais, culturais anteriores e até mesmo paralelas
a escola.
Não pense professor que você
vai salvar o mundo. Ou que existe uma receita mágica para ensinar. Mas se você
amar o que faz, fará bem. Então, você será professor?
Bibliografia Consultada:
DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sócio-cultural.
In: DAYRELL, Juarez (Org.). Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo
Horizonte: Ed. UFMG, 1999.
Profissão de Historiador: mais um passo para a regulamentação.
Desde o ano
passado que venho publicando notícias/informativos sobre a profissão de
Historiador e sua regulamentação.
Eis que ontem,
16/11/2011, saiu a notícia que a Comissão de
Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou
proposta que regulamenta o exercício da profissão de historiador. A matéria
ainda seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania para
análise, mas tudo indica que estamos no caminho certo.
Confira abaixo
a matéria na íntegra:
COMISSÃO APROVA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADORA Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que regulamenta o exercício da profissão de historiador. De acordo com a proposta, historiador é o profissional responsável pela realização de análises, de pesquisas e de estudos relacionados à compreensão do processo histórico e pelo ensino da História nos diversos níveis da educação.O texto aprovado é o Projeto de Lei 7321/06, do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que tramita apensado ao PL 3759/04, do ex-deputado Wilson Santos. A relatora, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), recomendou a aprovação do projeto apensado, com emenda, e a rejeição do projeto principal. Segundo ela, os projetos regulam a matéria em termos análogos, mas o PL 7321/06 não obriga o Poder Executivo a criar conselho de fiscalização do exercício profissional, como faz o PL 3579/04 – o que é inconstitucional. “Tais conselhos são considerados autarquias especiais e só podem ser criados por meio de lei de iniciativa do Presidente da República”, explica.O PL 7321/06 prevê, porém, a inscrição do historiador em conselho de fiscalização do exercício profissional. A emenda da relatora retira essa previsão.Profissionais habilitadosSegundo o projeto, poderão exercer a profissão de historiador no País:- quem tiver diploma de nível superior em História, expedido no Brasil, por instituições de educação oficiais ou reconhecidas pelo governo federal;- os portadores de diplomas de nível superior em História, expedidos por escolas estrangeiras, reconhecidas pelas leis de seu país e que revalidarem seus diplomas de acordo com a legislação em vigor;- os diplomados em cursos de mestrado ou de doutorado em História, devidamente reconhecidos;- os que, na data da entrada em vigor desta lei, tenham exercido, comprovadamente, durante o período mínimo de cinco anos, a função de historiador.Para exercerem as funções relativas ao magistério em História, os profissionais deverão comprovar formação pedagógica exigida em lei.AtividadesA proposta também define as atividades e funções dos historiadores, entre elas:- planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica, de documentação e informação histórica;- planejar o exercício da atividade do magistério, na educação básica e superior, em suas dimensões de ensino e pesquisa;- elaborar critérios de avaliação e seleção de documentos para fins de preservação;- elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre assuntos históricos;- assessorar instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural (museus, arquivos, bibliotecas).TramitaçãoA matéria segue para a análise, em caráter conclusivo, da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.Íntegra da proposta:Reportagem – Lara HajeEdição – Regina Céli Assumpção
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Quem criou o nome das notas musicais?
A nomenclatura, que ficou famosa a partir do século 12, foi criada pelo monge beneditino Guido de Arezzo, que viveu por volta de 995 a 1050. O padre, que registrou e padronizou os escritos musicais, usou a primeira sílaba de cada verso de um hino de louvor a São João Batista: “Ut queant laxis / Resonare fibris /Mira gestorum / Famuli tuorum / Solve polluti / Labii reatum / Sancte Iohannes”. A tradução é algo como: “Para que teus servos/ Possam, das entranhas/ Flautas ressoar/ Teus feitos admiráveis /Absolve o pecado / Desses lábios impuros/ Ó São João”. No século 17, houve a troca de “ut”, por “dó”. O “si” nasceu da abreviação de “Sancte Iohannes” – São João em português.
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Curiosidades
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
10 Fatos Históricos [Muito] Mal Contados
1- Buda e o Peso

[Você ouviu falar que...] Buda era gordo
Sabe que aquela imagem de um careca cheinho, com pouca roupa, barrigão de fora e bem sorridente? O gordinho simpático representa Buda, fundador do budismo. A religião budista, uma das maiores do mundo, nasceu na região onde hoje fica o Nepal e atualmente tem cerca de 400 milhões de seguidores.
De acordo com os textos budistas, Sidarta, fundador da religião, teria sido um príncipe que saiu pelo mundo para descobrir a cura do sofrimento humano. O cara viveu como mendingo e passou dias sem comer, em meditação. Por isso, na Índia as estátuas do Buda mostram um homem alto e magro meditando.
2- Calendário Maia e 2012

[Você ouviu falar que...] O calendário dos Maias prevê o fim do mundo em 2012
A civilização que habitou o sul do México entre 2000 a.C. e o século 17 dominava astronomia e criou um calendário de 365 dias. Está tudo gravado em uma pedra circular que marca os dias até 21 de dezembro de 2012. Aí não tem saída: o mundo acaba junto com o calendário desse povo que foi dizimado pelos espanhóis.
O resultado da busca por "calendário maia" no Google é um calendário circular de outro: os Astecas. A Pedra do Sol foi construída com base no calendário Maia – que era retangular e mais complexo – e não acaba em 2012. Tanto para maias como para astecas, o fim de um ciclo astronômico iniciava outro.
3- Cristóvão Colombo e a América

[Você ouviu falar que...] Colombo descobriu a América
Viajando a serviço da Espanha, o navegador italiano procurava chegar às Índias viajando para o oeste. Dez semanas após partir, seus três navios, Santa Maria, Pinta e Niña, atracaram na ilha de San Salvador, onde hoje ficam as Bahamas. A missão saiu melhor que a encomenda, já que Colombo descobriu um continente novinho em folha.
No livro 1421: o Ano em que a China Descobriu o Mundo, o ex-comandante da marinha britânica Gavin Menzies analisa mapas e rotas e afirma que durante a dinastia Ming, os chineses tinham recursos para ir e voltar da América. Para completar, um mapa-múndi de 1418, encontrado na China, mostra todos os continentes em seus devidos lugares.
4- Galileu Galilei e o Heliocentrismo

[Você ouviu falar que...] Galileu foi severamente punido por descobrir o sistema solar
Na Idade Média, a Igreja Católica punia fisicamente quem ia contra seus princípios. A heresia de Galileu foi defender o heliocentrismo, ou seja, que os planetas giravam ao redor do Sol, e não da Terra. Após escrever "Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Universo", o astrônomo foi condenado a passar o resto de seus dias na cadeia, onde sofreu torturas.
Quem descobriu o heliocentrismo foi Nicolau Copérnico, meio século antes. Galileu, que era católico fervoroso e amigo do papa Urbano VIII, apenas comprou a ideia e resolveu defendê-la escrevendo um livro. A obra acabou inclusa no Index, a lista dos proibidões da época, e o cientista teve que se explicar com a igreja, sem sofrer tortura alguma.
5- Isaac Newton e a Maçã

[Você ouviu falar que...] Newton descobriu a gravidade com uma maçã caindo em sua cabeça
O físico, matemático, astrônomo, filósofo, alquimista, teólogo e professor Isaac Newton estava descansando debaixo de uma árvore em um parque de Londres quando uma maçã caiu em sua cabeça. Eureka! De repente ele entendeu tudo: o que fazia a maçã cair era a atração da Terra sobre corpos ao seu redor. Logo formulou a Lei da Gravitação Universal.
A história da maçã não está na obra do físico - a hipótese mais provável é que tenha sido usada para explicar a seus alunos a teoria que formulou após muitos cálculos e estudos. Em mémorias que William Stukeley, arqueólogo e biógrafo de Newton, publicou em 1752, há até menção a maçãs. Mas elas só enfeitavam o jardim que o cientista passeava.
6- Graham Bell e o Telefone

[Você ouviu falar que...] Graham Bell inventou o telefone
Alexander Graham Bell era professor de fisiologia vocal na Universidade de Boston. Nas horas livres, com o assistente Thomas Watson, tentava criar um aparelho que usasse eletromagnetismo para transmitir a voz humana à distância. Um dia, testando um de seus protótipos, chamou pelo fone: “Watson, venha aqui”. Estava criado o aparelho telefônico, em 1873.
Em 2002, o Congresso dos EUA reconheceu Antonio Meucci como pai do telefone. Em 1856, o italiano criou um aparelho que transmitia a voz à distância. Com dificuldades financeiras, vendeu sua patente para Graham Bell no início dos anos 1870. Malandro, Bell registrou a patente em seu nome, ficando rico e levando a fama pelo invento.
7- Einstein e os Estudos

[Você ouviu falar que...] Einstein foi mau aluno
O físico alemão Albert Einstein é sinônimo de inteligência. Quando criança, porém, tirava péssimas notas em matemática. Aos 12 anos, ouviu de uma professora que não ia dar em nada na vida. Estudando por conta própria, virou gênio. Radicado nos EUA, foi professor da Universidade Princeton, ganhou um prêmio Nobel e foi eleito pela revista Time como personalidade do século 20.
O pequeno Albert achava as aulas de matemática e física fracas. Preferia ficar em casa estudando sozinho e, aos 12 anos, dominava cálculo integral e diferencial, que só se aprendem na faculdade. A lenda de Einstein como mau aluno pode ter surgido porque ele foi reprovado, aos 16 anos – dois anos mais novo do que o habitual -, para ingressar na escola Politécnica de Zurique.
8- Santos Dumont e o Avião

[Você ouviu falar que...] Santos Dumont inventou o avião
O brasileiro foi o primeiro a voar com um aparelho mais pesado que o ar. No arredores de Paris, o 14-Bis ficou 21 segundos no ar, percorrendo 220 metros. Os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright, que garantem ter inventado o avião antes de Dumont, não se apresentaram em público, não deram provas consistentes de seus voos e usavam uma catapulta para levantar voo.
Fora do Brasil, pouca gente duvida que Orville e Wilbur Wright inventaram o avião. Três anos antes do 14-Bis, eles voaram com o Flyer I nos EUA. Os irmãos usavam catapulta, mas podiam decolar sem o mecanismo. E houve, sim, apresentações públicas: em 1905, diante de dezenas de testemunhas, o avião dos Wright voou durante 39 minutos, fazendo curvas e oitos no ar.
9- Gandhi e o Pacifismo

[Você ouviu falar que...] Gandhi era pacifista
Mahatma Gandhi tornou a Índia independente do Império Britânico, em 1947, por meio da satiagraha, a doutrina da não-violência. Dizia não ser correto “usar a violência contra um adversário, pois ele deve ser desarmado de seus erros com paciência e compaixão”. A não-violência tornou Gandhi um símbolo mundial de luta por justiça, liberdade e paz.
O herói indiano viveu na África do Sul entre 1893 e 1914. Nesse tempo, lutou contra rebeldes negros e pregou a inferioridade negra. Considerava correto, por exemplo, proibir negros de usar armas ou partilhar vagões de trem com brancos ou indianos. “A raça mais elevada pode continuar assim evitando que os negros se armem”, escreveu para o jornal Indian Opinion.
10- Feministas e o Sutiã

[Você ouviu falar que...] As feministas queimaram os sutiãs
Feministas americanas que consideravam o concurso de beleza Miss America um baita machismo protestaram com os seios de fora, incendiando lingeries em Atlantic City. Afinal, para se manifestar contra a opressão masculina, nada melhor do que queimar sutiãs, símbolos das diferenças entre homens e mulheres. Pegava fogo a luta pela igualdade de direitos entre os sexos.
Cerca de 400 mulheres jogaram sapatos, maquiagem, revistas femininas e até sutiãs em uma lata de lixo. Alguém deu a ideia de pôr fogo em tudo, mas seguranças impediram. Mesmo assim, a jornalista Lindsay van Gelder escreveu a reportagem Queimadoras de Sutiãs e o Miss America. Com o tempo, a metáfora foi esquecida e os sutiãs queimados viraram história.
FONTES: http://www.historiadigital.org

[Você ouviu falar que...] Buda era gordo
Sabe que aquela imagem de um careca cheinho, com pouca roupa, barrigão de fora e bem sorridente? O gordinho simpático representa Buda, fundador do budismo. A religião budista, uma das maiores do mundo, nasceu na região onde hoje fica o Nepal e atualmente tem cerca de 400 milhões de seguidores.
[Mas a verdade é que...] Buda era magrinho
De acordo com os textos budistas, Sidarta, fundador da religião, teria sido um príncipe que saiu pelo mundo para descobrir a cura do sofrimento humano. O cara viveu como mendingo e passou dias sem comer, em meditação. Por isso, na Índia as estátuas do Buda mostram um homem alto e magro meditando.
2- Calendário Maia e 2012
[Você ouviu falar que...] O calendário dos Maias prevê o fim do mundo em 2012
A civilização que habitou o sul do México entre 2000 a.C. e o século 17 dominava astronomia e criou um calendário de 365 dias. Está tudo gravado em uma pedra circular que marca os dias até 21 de dezembro de 2012. Aí não tem saída: o mundo acaba junto com o calendário desse povo que foi dizimado pelos espanhóis.
[Mas a verdade é que...] O "calendário Maia" é Asteca e não acaba em 2012
O resultado da busca por "calendário maia" no Google é um calendário circular de outro: os Astecas. A Pedra do Sol foi construída com base no calendário Maia – que era retangular e mais complexo – e não acaba em 2012. Tanto para maias como para astecas, o fim de um ciclo astronômico iniciava outro.
3- Cristóvão Colombo e a América

[Você ouviu falar que...] Colombo descobriu a América
Viajando a serviço da Espanha, o navegador italiano procurava chegar às Índias viajando para o oeste. Dez semanas após partir, seus três navios, Santa Maria, Pinta e Niña, atracaram na ilha de San Salvador, onde hoje ficam as Bahamas. A missão saiu melhor que a encomenda, já que Colombo descobriu um continente novinho em folha.
[Mas a verdade é que...] Colombo não descobriu a América
No livro 1421: o Ano em que a China Descobriu o Mundo, o ex-comandante da marinha britânica Gavin Menzies analisa mapas e rotas e afirma que durante a dinastia Ming, os chineses tinham recursos para ir e voltar da América. Para completar, um mapa-múndi de 1418, encontrado na China, mostra todos os continentes em seus devidos lugares.
4- Galileu Galilei e o Heliocentrismo
[Você ouviu falar que...] Galileu foi severamente punido por descobrir o sistema solar
Na Idade Média, a Igreja Católica punia fisicamente quem ia contra seus princípios. A heresia de Galileu foi defender o heliocentrismo, ou seja, que os planetas giravam ao redor do Sol, e não da Terra. Após escrever "Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Universo", o astrônomo foi condenado a passar o resto de seus dias na cadeia, onde sofreu torturas.
[Mas a verdade é que...] Galileu não descobriu o sistema solar e teve uma punição leve
Quem descobriu o heliocentrismo foi Nicolau Copérnico, meio século antes. Galileu, que era católico fervoroso e amigo do papa Urbano VIII, apenas comprou a ideia e resolveu defendê-la escrevendo um livro. A obra acabou inclusa no Index, a lista dos proibidões da época, e o cientista teve que se explicar com a igreja, sem sofrer tortura alguma.
5- Isaac Newton e a Maçã
[Você ouviu falar que...] Newton descobriu a gravidade com uma maçã caindo em sua cabeça
O físico, matemático, astrônomo, filósofo, alquimista, teólogo e professor Isaac Newton estava descansando debaixo de uma árvore em um parque de Londres quando uma maçã caiu em sua cabeça. Eureka! De repente ele entendeu tudo: o que fazia a maçã cair era a atração da Terra sobre corpos ao seu redor. Logo formulou a Lei da Gravitação Universal.
[Mas a verdade é que...] Newton descobriu a gravidade, mas não foi inspirado por uma maçã
A história da maçã não está na obra do físico - a hipótese mais provável é que tenha sido usada para explicar a seus alunos a teoria que formulou após muitos cálculos e estudos. Em mémorias que William Stukeley, arqueólogo e biógrafo de Newton, publicou em 1752, há até menção a maçãs. Mas elas só enfeitavam o jardim que o cientista passeava.
6- Graham Bell e o Telefone
[Você ouviu falar que...] Graham Bell inventou o telefone
Alexander Graham Bell era professor de fisiologia vocal na Universidade de Boston. Nas horas livres, com o assistente Thomas Watson, tentava criar um aparelho que usasse eletromagnetismo para transmitir a voz humana à distância. Um dia, testando um de seus protótipos, chamou pelo fone: “Watson, venha aqui”. Estava criado o aparelho telefônico, em 1873.
[Mas a verdade é que...] Graham Bell não inventou o telefone
Em 2002, o Congresso dos EUA reconheceu Antonio Meucci como pai do telefone. Em 1856, o italiano criou um aparelho que transmitia a voz à distância. Com dificuldades financeiras, vendeu sua patente para Graham Bell no início dos anos 1870. Malandro, Bell registrou a patente em seu nome, ficando rico e levando a fama pelo invento.
7- Einstein e os Estudos

[Você ouviu falar que...] Einstein foi mau aluno
O físico alemão Albert Einstein é sinônimo de inteligência. Quando criança, porém, tirava péssimas notas em matemática. Aos 12 anos, ouviu de uma professora que não ia dar em nada na vida. Estudando por conta própria, virou gênio. Radicado nos EUA, foi professor da Universidade Princeton, ganhou um prêmio Nobel e foi eleito pela revista Time como personalidade do século 20.
[Mas a verdade é que...] Einstein era um aluno genial
O pequeno Albert achava as aulas de matemática e física fracas. Preferia ficar em casa estudando sozinho e, aos 12 anos, dominava cálculo integral e diferencial, que só se aprendem na faculdade. A lenda de Einstein como mau aluno pode ter surgido porque ele foi reprovado, aos 16 anos – dois anos mais novo do que o habitual -, para ingressar na escola Politécnica de Zurique.
8- Santos Dumont e o Avião
[Você ouviu falar que...] Santos Dumont inventou o avião
O brasileiro foi o primeiro a voar com um aparelho mais pesado que o ar. No arredores de Paris, o 14-Bis ficou 21 segundos no ar, percorrendo 220 metros. Os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright, que garantem ter inventado o avião antes de Dumont, não se apresentaram em público, não deram provas consistentes de seus voos e usavam uma catapulta para levantar voo.
[Mas a verdade é que...] Santos Dumont não inventou o avião
Fora do Brasil, pouca gente duvida que Orville e Wilbur Wright inventaram o avião. Três anos antes do 14-Bis, eles voaram com o Flyer I nos EUA. Os irmãos usavam catapulta, mas podiam decolar sem o mecanismo. E houve, sim, apresentações públicas: em 1905, diante de dezenas de testemunhas, o avião dos Wright voou durante 39 minutos, fazendo curvas e oitos no ar.
9- Gandhi e o Pacifismo
[Você ouviu falar que...] Gandhi era pacifista
Mahatma Gandhi tornou a Índia independente do Império Britânico, em 1947, por meio da satiagraha, a doutrina da não-violência. Dizia não ser correto “usar a violência contra um adversário, pois ele deve ser desarmado de seus erros com paciência e compaixão”. A não-violência tornou Gandhi um símbolo mundial de luta por justiça, liberdade e paz.
[Mas a verdade é que...] Gandhi era racista
O herói indiano viveu na África do Sul entre 1893 e 1914. Nesse tempo, lutou contra rebeldes negros e pregou a inferioridade negra. Considerava correto, por exemplo, proibir negros de usar armas ou partilhar vagões de trem com brancos ou indianos. “A raça mais elevada pode continuar assim evitando que os negros se armem”, escreveu para o jornal Indian Opinion.
10- Feministas e o Sutiã
[Você ouviu falar que...] As feministas queimaram os sutiãs
Feministas americanas que consideravam o concurso de beleza Miss America um baita machismo protestaram com os seios de fora, incendiando lingeries em Atlantic City. Afinal, para se manifestar contra a opressão masculina, nada melhor do que queimar sutiãs, símbolos das diferenças entre homens e mulheres. Pegava fogo a luta pela igualdade de direitos entre os sexos.
[Mas a verdade é que...] As feministas não queimaram sutiãs
Cerca de 400 mulheres jogaram sapatos, maquiagem, revistas femininas e até sutiãs em uma lata de lixo. Alguém deu a ideia de pôr fogo em tudo, mas seguranças impediram. Mesmo assim, a jornalista Lindsay van Gelder escreveu a reportagem Queimadoras de Sutiãs e o Miss America. Com o tempo, a metáfora foi esquecida e os sutiãs queimados viraram história.
FONTES: http://www.historiadigital.org
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sexta-feira, 10 de junho de 2011
Escova de dentes: como fazíamos sem
Sem a escova de dentes, não havia romântico que resistisse a um beijo de bom dia. Amor, carinho, lábios... e aquela carninha que restou de refeições anteriores. Algum egípcio notou esse problema: a primeira escova de que se tem notícia foi encontrada numa tumba de 5 mil anos. Na verdade, era um pequeno ramo de planta que foi desfiado até as fibras aparecerem - elas eram esfregadas nos dentes para limpá-los.O mau hálito deve ter incomodado os povos antigos. Tanto que outras alternativas para auxiliar na higiene bucal foram criadas com o passar dos anos. Além dos dedos, de folhas e de gravetos, pequenas varetas com a ponta amassada também eram utilizadas para limpar os dentes. Diocles de Caristo, um médico grego do século 4 a.C., deixou escrito um documento em que recomendava a seus clientes que todas as manhãs colocassem uma fina camada de hortelã pulverizada nos dentes e nas gengivas e a esfregasse com os dedos para remover restos de alimentos. Já os romanos limpavam seus dentes com um pó bem diferente - os ingredientes eram cinzas de ossos e dentes de animais, ervas e areia. A importância da escovação já era tão grande que os aristocratas tinham escravos apenas para limpar seus dentes.
Na Idade Média, as escovas ainda não haviam evoluído muito, mas as pastas de dentes já tinham melhorado bastante. Nessa época, eram preparadas à base de ervas aromáticas, como a sálvia. Mas, para eliminar o mau hálito, eram recomendados bochechos com urina.
A escova de dentes de cerdas só foi inventada em 1498, pelos chineses. Porém, além do fato de serem muito caras - e, por isso, famílias inteiras terem que dividir uma peça -, eram feitas de pêlos de porcos atados a pedaços de bambus ou ossos. Com a umidade, os pêlos mofavam e enchiam a boca de fungos.
O problema só seria resolvido em 1938, nos Estados Unidos, com o surgimento de cerdas de náilon. Na Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos eram obrigados a usar a escova de dentes. De lá para cá, ela só foi se aperfeiçoando. Uma pesquisa feita em 2003 nos Estados Unidos pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts supreendeu pelo resultado: para os americanos, a escova de dentes é a invenção mais importante da história da humanidade.
Fonte: Aventurasnahistória
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Origem e evolução da prisão
“A prisão, inicialmente, não tinha natureza de pena-castigo, e sim possuía caráter acautelatório como o de guardar o réu ou o condenado como forma de preservá-lo do julgamento ou da execução.Na idade média, além da pena-custódia, surgiu a pena eclesiástica pela Igreja Católica, que, com o intuito de purgar seus monges dos pecados, fez uso da prisão, na medida em que recolhia e isolava os religiosos em celas, para uma melhor reflexão dos seus atos “pecaminosos”.
Na idade moderna, diante da crise socioeconômica que abalou a Europa e que resultou no grande número de pessoas extremamente pobres, as quais se dedicavam à mendicância ou à prática de atos delituosos para sobreviverem, fez-se necessário estabelecer nova política criminal para conter o crescimento e a ação deste grupo. Neste contexto, o clero inglês pediu auxílio ao Rei de Londres, que autorizou a utilização do castelo de Bridwell para que ali fossem recolhidas as pessoas vadias, os ociosos, os ladrões e os praticantes de pequenos delitos com o objetivo de serem disciplinados.
Em pouco tempo, foram criados outros “bridwells” ou, como era denominada, houses of correction, as quais logo ganharam respaldo legal, pois, em 1575, surgiu a primeira lei a fazer menção a essas casas de correção, preconizando que elas significavam “sanção para os vagabundos e o alívio para os pobres.” Similares a estas casas de correção surgiram as casas de trabalho (workhouses), sendo a primeira inaugurada em 1697, na cidade de Bristol, na Inglaterra. Introduzidas na Inglaterra, estas casas de correção e trabalho rapidamente se espalharam por toda a Europa. Em Amsterdã, em 1596, fundou-se uma casa de correção para homens; em 1597, para mulheres; e, em 1600, para jovens.
Em 1667, em Florença, foi fundado o Hospício de San Felipe Néri para correção de crianças e jovens “desregrados”.5 Na França, em 1656, houve a primeira instituição para vagabundos e mendigos. Em Roma, foi fundada a Casa de Correção de São Miguel, em 1703, para disciplinar, por meio do trabalho, isolamento e disciplina, os jovens delinquentes. No Brasil, a finalidade da prisão não foi tratada de modo diferente. Inicialmente, a primeira cadeia construída na província de São Paulo, entre os anos 1784 a 1788, destinou-se a recolher criminosos, inclusive escravos, para aguardar a execução de suas penas. Posteriormente, diante do reflexo das ideias iluministas, que foram adotadas na Constituição imperial, o Código criminal de 1830 estabeleceu a prisão simples e a prisão com trabalho10 como pena, de maneira que as províncias passaram a ter o direito de construir as suas casas de prisão ou correção.
Assim, iniciou-se a construção dos primeiros estabelecimentos correicionais. Em 1833, o governo regente determina a construção da Casa de Correção do Rio de Janeiro e, somente em 1850, embora inacabada, a prisão foi inaugurada. Em sequência, em 1852, foi inaugurada, apesar de não concluída, a “Casa de Correção” em São Paulo.
Todavia, segundo Salla, as Casas de Correções não atingiram seus objetivos. A de São Paulo, por exemplo, não se destinava somente a receber os condenados à prisão com trabalho, mas também negros africanos, menores, presos pela polícia, além de escravos fugitivos que ficavam em outra dependência. Ainda, conforme Salla, a situação ficou mais precária quando os presos da Cadeia foram transferidos para a Casa de Correção, fazendo com que condenados à prisão simples ficassem juntos com condenados à prisão com trabalhos, restando prejudicial que fossem desenvolvidas as funções da prisão inicialmente previstas na casa de correção.
Outrossim, em relação às Cadeias, local onde se cumpriam as prisões simples, a situação era deplorável, embora a Constituição de 1824 prescrevesse, em seu Art. 79, Parágrafo 21, que “as cadeias serão seguras, limpas e bem arejadas, havendo diversas casas para separação dos réus, conforme as circunstâncias e a natureza dos seus crimes”, não houve alteração nas estruturas físicas ou higiênicas das cadeias após a Constituição. Com efeito, a referida Cadeia de São Paulo passava por estas condições subumanas: falta de limpeza, escuridão, mistura dos presos condenados com doentes mentais ou pessoas recolhidas pela polícia, péssima alimentação, doença, arbitrariedade dos carcereiros, falta de segurança na prisão. Na mesma ambiência, eram as cadeias do Rio de Janeiro:
Somente direi que é quase um subterrâneo, de onde exala um ar úmido e fétido; quanto às suas condições de solidez, são as piores possíveis, estando os presos ameaçados de ficarem soterrados com o desabamento do prédio em que funciona a Câmara Municipal, que fica por cima da cadeia, o qual está tão velho e carcomido que uma de suas janelas desabou. E quanto aos ‘desgraçados que são obrigados a permanecer neste lugar por mais de oito dias, nota-se alteração de sua saúde, e maceramento do seu rosto indica a umidade e a falta de ar puro do lugar em que tem permanecido.’A cadeia desta vila, cujo edifício serve também de quartel ao destacamento policial, acha-se quase em ruínas. As prisões, que são dois quartos pequeníssimos, sendo um completamente arruinado e abandonado, e o outro também em péssimo estado, sem ar, sem luz, sem condição alguma higiênica ou de segurança, cujas paredes exteriores feitas de barro e madeira apodrecidas têm sido várias vezes arrombadas pelos presos com a intenção de se evadirem; e de fato, no correr deste ano, se evadiram os presos Eugênio Alves de Silva e José Lino de Andrade, forçando a porta da prisão, que também nenhuma segurança tem. A falta de asseio nesta prisão que mede apenas 36 metros cúbicos, e onde se acham atualmente quatro homens respirando um ar insuficientíssimo e viciado, não pela aglomeração de tantos indivíduos em tão pequeno espaço, como também pela contínua emanação de imundícies ali acumuladas.
Estas condições inóspitas não existiam somente no Brasil. Além de Beccaria, também o filósofo inglês John Howard, autor da obra O estado das prisões na Inglaterra e no País de Gales, insurgiu-se contra esta estrutura nas Cadeias da Europa e não aceitava que, para a privação de liberdade, fosse necessário passar por sofrimento desumano, como fome, doença, ou qualquer tipo de miséria. Howard defendeu ideias sobre a necessidade de um local apropriado para o cumprimento da pena privativa de liberdade, ou seja, um estabelecimento em que as mínimas necessidades do preso fossem respeitadas, onde a condição humana deste fosse observada, ou seja, desde as estruturas físicas até a escolha dos carcereiros deveriam ser voltadas para humanizar as prisões.
Ainda quanto à estrutura do local da prisão, cabe citar Jeremy Bentham que, embora tenha protestado, também, contra as misérias das prisões inglesas, destacou-se pela necessidade de uma arquitetura específica para o alojamento dos presos no sentido de que houvesse maior segurança e controle do estabelecimento penal. Neste contexto, criou o “panóptico”, que consiste num estabelecimento circular onde os presos pudessem ser vistos de uma torre central, sem que soubessem que estavam sendo observados.
Assim, estavam lançadas as ideias para a instalação de um estabelecimento próprio para que os presos pudessem, sem perder sua condição humana, cumprir suas penas. Mas, as prisões não deveriam se afastar de sua finalidade preventiva, que era fazer com que o preso se arrependesse dos seus atos criminosos. Para tal fim, buscou-se no primeiro momento inspiração na prisão eclesiástica: A Igreja isolava os religiosos para que, por meio de reflexão, houvesse a penitência dos seus pecados. Desta forma, o local onde os presos iriam cumprir sua pena deveria ser caracterizado pelo isolamento.20 Daí resultou aos estabelecimentos punitivos o nome de penitenciária."
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Fonte:ELIZABEBA REBOUÇAS TOMÉ PRACIANO: “O DIREITO DE PUNIR NA CONSTITUIÇÃO DE 1988 E OS REFLEXOS NA EXECUÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE”. (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Direito como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Direito Constitucional, sob a orientação do Prof. Dr. Paulo Antônio Albuquerque de Menezes). Fortaleza, 2007.
http://humordarwinista.blogspot.com/
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Testes e Dissertações
terça-feira, 29 de março de 2011
A Independência Decifrada
Todo mundo conhece a história básica da fundação do Brasil como país soberano, pela iniciativa de D. Pedro I.
Mas o que houve por trás da arrojada decisão do então príncipe regente, no 7 de Setembro de 1822?
Mas o que houve por trás da arrojada decisão do então príncipe regente, no 7 de Setembro de 1822?
| A mais famosa representação da declaração de D. Pedro I, às margens do Ipiranga, em quadro do pintor Pedro Américo |
Há dois anos, o aniversário da chegada da família real ao Rio de Janeiro contribuiu para redimensionar a imagem de fugitivos ainda associada ao príncipe D. João e seus familiares. A enxurrada de reedições de livros e as novas pesquisas sobre o período demonstraram que a decisão de transferir a corte para o Novo Mundo, tomada pelo Conselho de Estado na noite de 24 de novembro de 1807, não foi um ato impensado de puro desespero.
A decisão foi resultado da falência da tradicional política externa de neutralidade que a Coroa portuguesa continuou a trilhar, incapaz de compreender inteiramente as novas nuances ideológicas dos anos que se seguiram à Revolução Francesa e a expansão napoleônica. Também foram decisivos o temor da perda de seu império ultramarino para o poder econômico e naval britânico e a ideia de que a violação da pessoa real significava um ataque aos próprios fundamentos do poder instituído.
São inegáveis os avanços que a corte trouxe para o Rio de Janeiro e os territórios do centro-sul da América portuguesa. A abertura dos portos, concretizada e aprofundada com os acordos assinados com a Grã-Bretanha em 1810, abriu novos mercados para os produtos brasileiros e aumentou a prosperidade econômica. A presença da família real agitou a vida cultural carioca com novas formas de divertimento (a música, o teatro), com novidades como o estabelecimento da imprensa e a criação de instituições científicas como o Jardim Botânico e a Biblioteca Real. Também foram reproduzidos na capital fluminense os órgãos superiores de administração até então baseados em Lisboa, o que levou ao surgimento de uma burocracia estabelecida e com interesses nos trópicos.
Mas não devemos esquecer que essa elevação teve como motivo imediato uma razão mais oportunista. Com a derrota definitiva de Napoleão Bonaparte na Batalha de Waterloo (em 18 de junho de 1815), os países vitoriosos se reuniram no Congresso de Viena para redesenhar o mapa político europeu. A ideia dos diplomatas presentes era restaurar a ordem geopolítica que reinava antes dos acontecimentos que, sucederam à Revolução Francesa. Estavam representadas as principais potências do momento: Inglaterra, Rússia, Áustria, Prússia e a derrotada França.
Essa situação era injusta para Portugal, que atuou ativamente na derrota do exército francês na península Ibérica. Como forma de tentar aumentar sua representação, durante o congresso começaram as negociações para o casamento entre o príncipe D. Pedro e a arquiduquesa da Áustria, D. Leopoldina Carolina Josefa de Habsburgo.
No plano da política internacional a união era uma jogada de mestre. O jovem príncipe tornava-se genro do imperador austríaco Francisco I, um dos líderes da Santa Aliança e da reação conservadora que dominava a Europa. A união das dinastias de Bragança e Habsburgo consolidava a monarquia instalada na América e fortalecia ainda mais o sistema monárquico na Europa. O matrimônio foi realizado por procuração em 13 de maio de 1817.
FONTE: http://revistaconhecer.uol.com.br/historia/a_independencia_decifrada.html
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Che Guevara - O herói de muitas causas
| Descendente de um vice-rei do México, Ernesto Guevara de La Serna encarna o espírito revolucionário, e sua imagem segue cultivada até mesmo sem grande conhecimento de seu legado. | ||||||
| por Pascal Marchetti-Leca | ||||||
Momentaneamente, alojaram-se no número 480 da rua Entre Ríos, onde, num quarto improvisado, o menino veio à luz. Recebeu o nome do pai, Ernesto. A história, em seus anais, o registrou de bom grado como o Che. Até aquele momento, sua única herança havia sido um nascimento complicado. Os Guevara não demoraram para deixar a parada obrigatória. Retomaram o caminho do Atlântico e se fixaram, durante algum tempo, em San Isidro, perto de Buenos Aires, onde Ernesto Guevara Lynch trabalhou como engenheiro civil. Desportista assumida, Célia logo se inscreveu no clube náutico da cidade e cultivou o hábito de levar o filho para as margens do rio da Prata. Numa manhã de maio de 1930, ao sair da água, o garoto manifestou sintomas de resfriado. Contraiu, em seguida, uma pneumonia que degenerou em recorrentes crises de asma. "no mês de maio faz um clima glacial e um vento forte, minha mulher tinha ido banhar-se no rio com nosso filho ernesto. Quando fui procurá-los, a fim de levá-los ao clube para o café da manhã, encontrei o menino com o calção de banho, já fora da água, (...) Trincando os dentes. Ela ainda era inexperiente e não se dera conta de que as mudanças de tempo se mostravam perigosas naquela estação", comentou o pai. | ||||||
Pascal Marchetti-Leca é professor na Universidade da Córsega e autor de Innominata (Dcl, 2001).
http://www2.uol.com.br/historiaviva
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Somos ou não somos Racistas?
| Eis a questão que desafia legisladores, intelectuais, cientistas e historiadores há mais de um século, em uma nação que é tão mestiça quanto desigual. | ||||||||
| por Sílvia Capanema P. de Almeida | ||||||||
| Do outro lado do debate, há vozes que defendem a tese de que o elogio da mestiçagem brasileira tem caráter ideológico, tendendo a esconder o racismo existente no país e a exclusão do negro ao longo dos cinco séculos de formação do Brasil. Esse é o pensamento do antropólogo Kabengele Munanga em seu Rediscutindo a mestiçagem no Brasil (Autêntica, 2004) Para se situar nessa discussão, seria interessante compreender o contexto dos períodos anterior e posterior à abolição. O processo de abolição não pode ser resumido ao 13 de maio de 1888. Por trás da data histórica, o comportamento da população negra no país mostra a existência de uma realidade muito mais complexa. Por um lado, antes mesmo da abolição, ser negro já não significava mais exatamente ser escravo. Pesquisas recentes apontam que apenas 5% do total da população negra ou parda do país era escrava às vésperas da extinção da escravidão. O grande número de alforrias por reconhecimento, laços pessoais e familiares, compras, entre outros fatores, mostrava que já havia muitos negros e mestiços vivendo além da escravidão, principalmente no meio urbano. Além disso, as fugas e formações de quilombos, muitos dos quais apoiados pela população pró-abolição, também já contribuíam para uma relativização da identificação do negro como escravo nos últimos anos do império. Um sujeito de cor negra ou parda poderia ser escravo, mas também livre ou liberto, como indicam as categorias dos censos do período. Sílvia Capanema P. de Almeida é jornalista e doutoranda em história na EHESS, Paris. Ensina na Universidade de Paris X, Nanterre./ http://www2.uol.com.br/historiaviva | | |||||||
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Mandela, a vitória de um justo
| Durante 27 anos, Nelson Mandela esteve preso por lutar contra o regime do apartheid na África do Sul. Militante político, líder carismático, Prêmio Nobel da Paz e primeiro presidente de seu país eleito democraticamente, Mandela jamais deixou de combater por uma África do Sul mais justa e fraterna, e sempre conservou, quaisquer que fossem os desafios enfrentados, uma dignidade que se tornou lendária | ||||||
| por Pascal Marchetti - Leca | ||||||
Henry Mgadla Mandela e sua terceira esposa, Noseki Fanny, são contra a adoção e parecem satisfeitos com seu filho único. Nelson Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, em uma pequena cidade de Transkei, a algumas dezenas de quilômetros da capital provincial de Umtata. Henry Mgadla escolheu o nome do venerado herói inglês de Trafalgar, almirante Nelson, ao qual ele acrescentou um prenome tradicional xhosa, Rolihlahla (cujo significado etimológico é “aquele para o qual os problemas se apresentam”). O patriarca não economizava nos paradoxos. Proveniente de um ramo da casa real Thembu, ele se revelava “altivo e revoltado, dotado de um senso inato de justiça”. Apesar das origens aristocráticas de Henry, a administração britânica não mostrou nenhum escrúpulo em privá-lo de sua fortuna e de seu título de conselheiro do rei. Mas o clã Mandela enfrentou a situação. Na tenda da família, em Qunu, para onde seus pais se retiraram, Nelson viveu dias aprazíveis. Mais tarde ele dirá: “Passei lá os anos mais felizes de minha vida”. A despreocupação, porém, não dura para sempre, algo que logo aprendeu. Em uma noite de 1927, subitamente, seu pai faleceu. A vida da criança sofreu uma reviravolta. Imediatamente, o regente do reino thembu, Jongintaba Dalindyebo, acolheu o infeliz primo na residência real de Mqhekezwen, e tornou-se seu tutor. Ao se despedir, a senhora Mandela aconselhou-o: “Seja corajoso, meu filho”. Ela não poderia ter dito algo melhor. Junto ao seu tutor, Nelson recebeu a educação elementar. O estudo do xhosa ensinou-lhe sua cultura de origem; a descoberta do inglês abriu-lhe o caminho para o pensamento desses brancos, que os negros servem sem que o queiram, e imitam sem que o saibam. Os devaneios permitidos pela história e pela geografia compensaram as dificuldades e os constrangimentos impostos pelo aprendizado das línguas. | ||||||
| Pascal Marchetti - Leca É professor da Universidade da Córsega / http://www2.uol.com.br/historiaviva | ||||||
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Calígula, um maluco no poder
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| FONTE: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/um_maluco_no_poder.html | |||||||||
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Copa surgiu para curar as feridas da Primeira Guerra Mundial
| Eleito presidente da FIFA em 1921, Jules Rimet tinha o projeto de usar o futebol para aproximar os povos após o conflito. Em 1930, o sonho se tornou realidade: há 80 anos nascia o evento esportivo mais popular do planeta | ||||||
| por Eric Pincas | ||||||
A bordo do Conte Verde, um homem de terno e gravata, cabelos brancos e bigode finamente talhado ostentava um sorriso discreto. Em sua bagagem, uma estatueta de 30 cm de altura e 4 kg, representando uma Vitória segurando sobre a cabeça um vaso octogonal: a Copa do Mundo, um troféu de ouro maciço produzido pelo escultor francês Abel Lafleur. O homem que cuidava desse precioso tesouro chamava-se Jules Rimet. Presidente da Federação Internacional de Futebol desde 1921, ele batalhava, havia quase dez anos, para organizar uma competição aberta às equipes do mundo inteiro. Seu leitmotiv: aproximar os jogadores dos dois hemisférios, em um espírito de fraternidade, e fazer do futebol o rei dos esportes atléticos. As esperanças que ele depositava nessa primeira Copa do Mundo eram imensas. A poucas semanas do momento do primeiro confronto, ele rememorava o quanto tinha sido longa a estrada até o embarque para a América do Sul. Nascido em 24 de outubro de 1873 em Theuley-les-Lavoncourt, um vilarejo de Haute-Saône, na região francesa de Franco-Condado, o pequeno Jules passou a infância entre a escola, a loja de produtos alimentícios do pai e o moinho do avô. A agricultura regional sofria então o impacto da guerra franco-prussiana de 1870. As condições de vida eram difíceis. Em 1885, com 12 anos, ele se juntou aos pais, que haviam partido em busca de uma vida melhor em Paris. Aluno estudioso, terminou o ensino médio e começou a estudar direito. Uma carreira jurídica se abria para ele. Mas seria essa sua verdadeira vocação? | ||||||
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